terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sinergia entre energias renováveis e fósseis

O Estadão publicou na semana passada (16) importante artigo sobre a matriz energética brasileira. Da locomotiva do Brasil, Estado que não produz um grama de carvão mineral, vem importante enfoque sobre as emissões de gases de efeito estufa, priorizando a óptica da defesa do interesse do consumidor final de energia elétrica e, por conseguinte, defendendo a construção de termoelétricas com uso do carvão. Segue na íntegra:

“ Como todo ser humano, temos uma característica impeditiva à conciliação ao colocarmos em oposição forças que podem interagir em nosso favor. Isso ocorre quando antepomos o preto ao branco - eliminando as miríades de possibilidades de cinza; o alto ao baixo, esquecendo os múltiplos níveis existentes entre um e outro; e sucessivamente.

No caso da produção de energia elétrica no Brasil, país que tem fartura de recursos renováveis competitivos (hidrelétricas, biomassa, eólica e, em futuro próximo, solar), caberia contestar afirmativas verbalizadas com alguma constância sobre ser sensato "sujar" a matriz elétrica brasileira construindo termoelétricas a combustíveis fósseis.

Aqueles que assim procedem se esquecem deliberadamente das características inerentes à geração térmica que compensam lacunas existentes na geração hidrelétrica, de forma geral, e, em particular no nosso país, em razão da construção de usinas a fio d'água, que tornam o "mix" de geração - somando as características dessas fontes - numa composição hidrotérmica que beneficia o consumidor final de energia elétrica.

Num determinado nível de confiabilidade, há uma proporção ótima de hidro e térmica, e a participação das térmicas no total da capacidade instalada do País aumenta à medida que cresce o nível de confiabilidade. A expansão do mínimo custo global, para um determinado padrão de confiabilidade, é um "mix" de geração hidrelétrica e térmica devido aos ganhos sinérgicos entre os dois tipos de geração: as termoelétricas contribuem com a "confiabilidade" nos períodos secos e as hidrelétricas contribuem com a "geração média barata" nas demais situações hidrológicas.

Outro atributo das térmicas é a sua maior facilidade em ser despachada. Em eventos como um aumento repentino na demanda de ponta, numa situação de restrição do uso de hidrelétricas por causa da escassez de água, as termoelétricas podem ser acionadas imediatamente. Esses acionamentos não poderiam ser realizados pelas usinas eólicas, a biomassa ou hidrelétricas a fio d'água, pois elas não são despacháveis on demand.

A principal desvantagem da expansão da participação térmica na nossa matriz elétrica é que esta tende a aumentar as emissões de gases de efeito estufa de 14 MtCO2/ano, em 2011, para 40 MtCO2/ano, em 2020. Contudo, se feita a sinergia hidrotérmica, a emissão de CO2 do setor será bem menor do que se imagina, e nunca será comparada às emissões derivadas dos desmatamentos que ocorrem em todas as regiões do País.

Para que a inserção térmica seja eficiente no Brasil, é preciso compatibilizar e aperfeiçoar os procedimentos de planejamento e operação, os procedimentos de segurança de suprimento; melhorar os sinais locacionais da transmissão; contornar incertezas nos custos e no fornecimento de combustível; como também reconhecer o benefício operativo de geração, considerando as usinas nucleares, a biomassa e as eólicas.

As termoelétricas com uso de carvão mineral, como as nucleares, precisam recuperar o tempo perdido. Essas usinas têm a grande vantagem de operar na base da curva de carga do sistema elétrico, assim como as hidrelétricas, constituindo-se na segurança para o nosso desenvolvimento.

A eficiência no setor elétrico brasileiro com características hidrotérmicas somente será alcançada por meio de instituições sólidas, que atuem em ambiente regulatório estável e que não sofram demasiada ingerência política.

Os novos procedimentos de operação e comercialização de energia elétrica no sistema interligado devem ser elaborados buscando um consenso que atenda aos interesses do consumidor final, de modicidade tarifária com serviço de qualidade; dos agentes setoriais públicos e privados, de remuneração justa; e do governo federal, de garantir o suprimento energético.”

 (grifo nosso)

3 comentários:

  1. Pelas caras dos dois estavam assistindo as manifestações em apoio ao carvão.

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  2. http://g1.globo.com/economia/noticia/2011/11/petrobras-nao-tem-gas-para-vender-diz-gabrielli.html

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  3. Vejam a conjuntura atual, onde a Petrobrás declara que não terá gás natural para novos contratos à partir de 2016, e então como fica o rombo de demanda de geração de energia, pois atualmente o impasse que querem colocar em discussão é sobre qual matriz adotar. O conflito está armado, pois em declaração na imprensa à comunidade científica abre o debate entre matrizes potencialmente poluidoras e matrizes limpas. Portanto cabe analizar custos de implantação. Atualmente a adoção de tecnologias que utilizem células fotovoltaicas (energia solar), são de custo altíssimo, pois dependem de importação tecnológica. Na situação da geração via energia eólica a situação se repete. E o carvão mineral, que antes era vilão poderá voltar à apresentar-se como opção nesse mundo conturbado???
    Acredito que o debate estender-se-a até 2016, pois o setor precisará constituir uma matriz energética diversificada, do contrário estará correndo o risco de naufragar em um apagão.
    E então, o momento é o de colocar o carvão em destaque, principalmente na região sul do Brasil, particularmente aqui em Candiota e região. A hora é de mobilização e ação, para a defesa do carvão.
    Vamos fazer desse limão (crise do gás) em uma boa limonada (inclusão do carvão de Candiota na matriz energética).
    Um abraço a todos(as) que integram as fileiras dessa luta por Candiota.

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